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terça-feira, 12 de agosto de 2008

Auto de Angicos e Avental Todo Sujo de Ovo ( o reencontro)

Dizem que os encontros já estavam escritos, no nosso caso essa máxima creio ser absoluta.

Dois Espetáculos com textos diferentes, atores diferentes, diretores diferentes, produtoras diferentes, estilos diferentes, de estados diferentes. O quê em comum? MARCOS BARBOSA! Nosso cearense baiano! Nosso autor querido, reservado, que prefere lançar holofotes para suas obras, não pra si. Típico dos gênios, não? E a genialidade de Marcos foi um dos temas do encontro.

Como o encontro se deu? Bem...

As produtoras Paula ("Virgolino e Maria - Auto de Angicos") e Grasca ("Avental Todo Sujo de Ovo"), conheceram-se em Curitiba, numa coletiva com a imprensa no Memorial, durante o festival deste ano, e logo resolveram possibilitar o encontro das duas equipes no Teatro Guaíra, espaço onde estavam em cartaz Adriana Esteves e Marcos Palmeira sob a batuta de Amir Haddad.
O encontro dos dois diretores.

Fábio Nieto Lopez (Avental) e Amir Haddad (Angicos) frente a frente, cara a cara, duas gerações, duas estéticas, entre eles, no meio, a interseção, o autor: Marcos Barbosa. Enquanto Fábio e Amir trocavam informações sobre a dramaturgia Barbosiana, na perspectiva da grafia cênica, dos caminhos encontrados, tão díspares um do outro, para falar das relações humanas em seus momentos limites, os atores das duas peças, quase em êxtase, proclamavam a boa vinda desse jovem autor que conhece os meandros da interpretação, a vicissitude da mente dos intérpretes, criando textos que facilmente são falados, preenchidos desde a origem de intenções e subtextos. Não há nada que se compare, na perspectiva dos atores, do que encontrar uma obra que os instigue, que não os aprisione em armadilhas textuais, escrito com o raciocínio das emoções, um texto que os atores entendem com todos os canais de percepção. Foi um grande encontro, uma grande louvação ao teatro.
Quem não quiser perder a oportunidade de conhecer o trabalho desse dramaturgo e desejar conhecer como o teatro possui muitos caminhos para falar com humor e emoção as coisas mais simples, e portanto mais complexas, da vida, eis a agenda dos dois espetáculos e a ficha técnica:

AVENTAL TODO SUJO DE OVO

Teatro Sesi Rio Vermelho
14, 21, 28 (quintas) de agosto às 21h
5 e 6 de setembro às 21h
7 de setembro às 20h
InteiraR$16,00 - Meia R$8,00
Direção: Fábio Nieto Lopez. Elenco: Christiane Veigga, Eva Kowalska, Léo Passos, Lino Costa.

VIRGOLINO E MARIA - AUTO DE ANGICOS

Teatro ISBA
15 a 17/08 - Horários: Sex, 21:00, Sab, 20:00 e Dom, 18:00
Inteira R$60,00 - Meia R$30,00

Direção: Amir Haddad. Elenco: Marcos Palmeira e Adriana Esteves.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

AGRADECIMENTOS

É isso gente! Só temos a agradecer:

a Marcos Barbosa por ter liberado o texto;

a Fábio Nieto Lopez por ter se dedicado ao espetáculo com a preocupação em manter a simplicidade, em não ceder ao estereótipo que hoje banha as comédias baianas (em suas mais diversas formas), por ter tido o cuidado ao abordar um tema tão cercado de Pré-Conceitos;

a Grasca que acreditou na qualidade e força do trabalho e investiu muito mais que dinheiro nessa produção, investiu conhecimento, calma, paz, garra, fé, amizade, inteligência e perspicácia, usando todas estratégias que dispunha para virmos, mobilizando instituições e pessoas que normalmente não se associam ao teatro, por falta de conhecimento das possibilidades ou por preconceito também;

a Eva Kowalska com seu encanto, sua baianidade polonesa, sua constância (a única do elenco original da montagem didática);

a Lino Costa que veio com garra (assumindo Antero em 1 semana de ensaios), fortalecendo-nos com a segurança que transmite;

a Léo Passos, essa estrela que disponta calmamente, nascendo dia após dia na construção dessa pessoa linda que é, esse ator que além do talento (encarou a desafiadora tarefa de construir Moacir/ Indienne em 5 dias e estrear em pleno Festival de Curitiba), do comprometimento com o trabalho, veio com sua generosidade transmitir a todos os atores um gás para aprofundar seus personagens e deu a segurança de saber que tal façanha era possível: estrear em um teatro desconhecido, longe do colo da terra-mãe, sem ter ensaiado com cenário.

a mim, Christiane Veigga, por ter aceitado Alzira, sem restrições, pela paixão mútua (nós nos entendemos e nos aceitamos em simbiose cosmenergética), por ter acreditado e vaticinado nossa vinda no dia 8 de junho de 2007, na Sala do Coro (nossa estréia) e ter convencido a todos que era possível e ter feito desse espetáculo meu ritual de comemoração de 21 anos dedicado ao Teatro.

A Maiana Freitas, por ter acreditado no nosso trabalho, apostando em nosso futuro, e com simpatia, um doce e contageante sorriso incentivou cada um. Naturalmente compôs a equipe, tanta falta sentimos quando ela teve que se ausentar durante o festival! Nossa panfleteira implacável, vendedora de aventais retada, sem ela a campanha "Leve o Avental so Festival" não conseguiria colocar tanta gente naquela platéia do Xisto.

A Dumas, empresário, dono do Doctor Burguer, que nos deu muito mais que 1 passagem aérea, que vendas de ingressos, nos deu a força e nos fez acreditar que tudo aquilo em que colocamos amor, dedicação, determinação e fé pode ser construído. Dumas! Esse espetáculo também é seu!!!

A Margareth Kyiomi, que achou pouco fazer doações, fez um bazar para levantar fundos para nossa vinda, comprou ingressos, divulgou a campanha, enfim, uma apoiadora de inúmeros meios.

A Lucenildes Batista, aquela gracinha de pessoa, que nos apoia sempre, e desta vez não foi diferente. Divulgou a campanha, se prontificou para vender ingressos e o fez. Amiga, abalou!!! Obrigada!

A Maurício Martins, que aceitou assinar nossa cenografia, e prometemos que assim que a verba entrar concretizaremos seu projeto cenográfico. Valeu pelo apoio pros figurinos que foram emprestados através do Boca de Cena e por sua amizade, que essa não tem tamanho, medida, nem preço!! Te amo!

A Jade Coelho (coiffeur e meu irmão de coração), que junto com Renata Cardoso (figurinista) compuseram essa Indienne singela, verdadeira. Dois artistas geniais!

A Eduardo Scaldaferri que nos deu uma consultoria de marketing em comunicação e nos orientou quais das estratégias que montamos para divulgação deveriam ser utilizadas. Du, deu certo!!! Olha nós!!

A Nair Machado que doou uma depilação completa em Léo (bichinho sofreu horas).

Ao Grupo CUCA de Teatro que nos apoiou, que sempre foi parceiro de projetos, dores, esforços e ideais (emocionar ao tempo que diverte).

Valeu Jailtom Nascimento (meu outro irmão de coração e parceirinho gostoso!!)

Ao Público que compareceu ao Xisto Bahia em fevereiro desse ano, e àqueles que não puderam mas nos apoiaram na Campanha "Leve o Avental ao Festival".

A UNEB, Cofitas, Boca de Cena (Maurício Martins), Tuppi propaganda, Fundação Cultural/Espaço Xisto, TVE_Ba, Silvana Moura e a Equipe do Soterópolis, Rádio Transamérica que nos apoiaram.

A Deus, À Deusa, Aos Deuses, Aos Orixás, a toda a energia que aqui nos trouxe.

domingo, 23 de março de 2008

O AVENTAL NO JB_ONLINE

Gente, saiu uma reportagem no JBONLINE que gostaríamos de dividir com vocês:


'Avental todo sujo de ovo' é boa surpresa no Festival de Curitiba

Angélica Paulo*, JB Online

CURITIBA - Lidar com o preconceito de uma forma sutil e bem-humorada. Esta é a receita do Grupo de Teatro Bastidores, que saíram da Bahia pela primeira vez para o Festival de Teatro de Curitiba, para apresentar o espetáculo "Avental todo sujo de ovo".

Com um texto redondo e bem amarrado de autoria de Marcos Barbosa, a peça conta a história de Alzira e Antero, cujo filho, Moacir, fugiu de casa aos nove anos de idade e, 19 anos depois, retorna como o travesti Indienne Dubois.

Cenário e iluminação simples destacam ainda mais a atuação dos atores, que conferem a carga dramática necessária para que o público possa sentir toda a tensão e o preconceito gerados pelo retorno de Moacir.

O espetáculo, classificado pela própria companhia como uma comédia melodramática, envolve não só pela própria história, mas pelo gestual dos atores, que convencem o público da autenticidade da dor de sua perda - ou de seu arrependimento - não deixando buracos em uma história cheia de reviravoltas.

O maior mérito de "Avental todo sujo de ovo" é, na verdade, seu conjunto. a peça consegue o resultado pelo que se propôs fazer. Gerar reflexão, fazer rir e chorar de maneira singela, mostrando que nem sempre uma boa produção precisa ter um texto intrincado e complexo. O menos, muitas vezes, é mais.

O Festival de Curitiba segue até o próximo dia 30.

*A repórter viajou a convite do Festival de Curitiba

sábado, 22 de dezembro de 2007

Caminhos e Escolhas

Não me recordo de qualquer outro texto dramático que tenha me emocionado tanto e, mesmo assim, não pensava em encená-lo por temer não tratar bem de assuntos tão delicados e complexos.
Marcos Barbosa, professor e pessoa de primeira grandeza, não me influenciou na escolha e muito menos na concepção e direção do espetáculo. Acontece que a visão que ele tem sobre o teatro como um encontro simples e saboroso entre atores e platéia, com uma encenação "feita a mão", casava-se harmonicamente com a minha fé nesse teatro, devido minha inesquecível experiência com o Grupo Feijoada Onírica em Assis, interior de São Paulo.
Tantas outras influências me são fundamentais na condução desse espetáculo: a infância e a adolescência transcorrendo sem pressa no interior desse país, quando pude conviver com comadres feito as personagens da peça, bem ali na cozinha de casa, nas conversas de minha mãe com a tia Ernesta e a vó Maria. A música das vozes de Alzira, Noélia, Moacir e Antero na intimidade absoluta que vivenciam no consolo mútuo do seguir vivendo "a vida que Deus nos deu", aparece magistralmente no texto e no palco, com a fina cumplicidade e o generoso talento que esse elenco nos presenteia.
Aprecio a audácia de Moacir ao abandonar a casa e a proteção de seus pais para o risco vertiginoso de buscar-se a si mesmo, através das estradas absolutamente desconhecidas que temos de percorrer sozinhos, porém livres. Imagino que ao final do segundo ato, em seu silêncio antes da decisão, Moacir recorda o momento que tomou coragem e partiu em busca de algo, recorda os quase vinte anos que viveu com outro nome em tantas casas e em tantas histórias, tenta recordar o motivo que o trouxe de volta até aquela mesma sala, e descobre que o caminho que escolheu é cruel, sedutor, solitário, e sem volta.